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Na sarjeta. Fudido. Lascado. Chorando por algo ou alguém. Drogado. Embriagado. Na fossa. Na merda. Na sarjeta.

A sarjeta é o espaço entre dois quadros que permite ao leitor o papel de cúmplice da história e do autor. Espaço onde ele pode parar pela quantidade de tempo que lhe for interessante e submergir em todo pensamento cabível ou não dentro daquela HQ que ele tem em mãos. Espaço em que ele pode completar o movimento de uma ação, passar de um cômodo a outro, viajar entre dois planetas, lembrar de uma noite com sua namorada, de um filme que viu, de outro quadrinho que leu, se ligar que acabou de ler um quadro muito ruim ou se deparar com a beleza de uma nova utilização dos elementos da forma a qual ele dedica seus estudos. Pode ser o espaço que ele utiliza para anotar suas observações acerca daquela obra ou um espaço que o inspire a fazer outra história em quadrinho.

O pensar pode ser atrelado ao ato de criticar. Ato que normalmente não é muito bem recebido pelos autores, mestres ou estrelas das artes. O crítico junto ao consumidor e ao realizador formam uma tríplice força importante para o crescimento qualitativo de qualquer arte. Porem no universo quadrinhístico brasileiro o coeficiente de crítica aos meus olhos não chega a 10%, tendo em vista que eu não conheço ninguém que realmente faça esse papel. Pode ser estupidez afirmar algo assim, mas os únicos espaços existentes que comentam (não pensam ou criticam) quadrinhos são destinados a noticias e spoilers. Isso não é criticar. Não é pensar a forma. Não contribui para o desenvolvimento das historias em quadrinhos no Brasil. Serve basicamente para um mercado de bancas e colecionadores que não agüentam esperar pela próxima saga. Não que eu não faça isso, mas não deve se limitar somente ao ato de decorar toda a vida impressa de Wolwerine e anteceder o que virá e sim pensar em como estão fazendo ele ou como poderiam fazer. Não é fácil assumir o papel da crítica. Assim como o autor, o crítico expõe suas idéias, se posiciona e espera por concordâncias e discordâncias. O crítico pode ser visto como um agente incentivador do pensar. O cara que coloca fogo em discussões. Mas normalmente é visto como pedante idiota mal amado.

Começar a refletir porque nos quadrinhos o ato de pensar recebe um nome tão pejorativo pode começar a desenhar um panorama da situação. Se criticar é pensar, e pensar é estar na sarjeta então poeticamente já começamos bem. Mas e os quadrinhos?

Na Sarjeta é um espaço desenvolvido para os mal amados do mundo dos quadrinhos. Espaço virtual destinado a se pensar enquanto muitos só desejam sentir ou colecionar. Seja bem vindo ao Na Sarjeta somente para ler, se quiser para escrever, mas principalmente para pensar.

Ian Abé

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A idéia desse espaço é o de pensar Historias em Quadrinhos enquanto arte desfrutando do máximo de consciência possível. É por causa dessa desejada consciência que houve tanta demora para se postar neste blog qualquer texto decente ou não. Uma visita a este blog hoje, e a seguinte mensagem estava apresentada:

“Não encontrado

Oh, não! Você está procurando algo que simplesmente não está aqui! Pelo menos temo que não esteja, mas erros acontecem, e com sorte haverá ferramentas na barra lateral para você usar na busca pelo que você precisa.”

Engraçado, foi preciso um servidor de internet para gerar vergonha nas intenções desse blog.

O primeiro texto desse blog ia ser sobre o seu nome e seus significados e a a inteção desse site. Só que ele não esta pronto ainda, mas a questão sobre a qual o texto vai tratar está.

Este blog serve para pensar quadrinho e é o que vai ser feito, por isso a questão. Segundo Scott McCloud o espaço entre cada quadro se chama sarjeta, porem sarjeta no mundo real é um espaço fisico nas laterais das ruas destinado a escoar  a água da chuva para os boeiros. Com a água toda sujeira das ruas vai junto, e isso tras um sentido decadente a esse substantivo. A pergunta: será que o termo sarjeta é interessante para o papel que ele desempenha no mundo dos quadrinhos?