Abstratos

Abstract Comics, título da antologia americana criado por  Andrei Molotiu, no qual faz um apanhado desse  tipo de quadrinho, se estende até esse blog:

http://abstractcomics.blogspot.com.br/

Vale visitar e se deparar com algo fora do comum.

Blog feito por garotas para garotas sobre garotas realizadoras de hq, personagens femininas e tudo q diz respeito ao universo feminino no mundo das hqs. 

 http://ladyscomics.com.br/

Vale a pena dar uma sacada

Salvo este post para comentar minha euforia para com tal série. The walking dead é uma série em quadrinhos sobre o batido mundo de mortos-vivos, tão mastigado nos cinemas e agora muito utilizado nos quadrinhos, mas a meu ver não tão bem explorado como nesse titulo.

A principio a primeira novidade, zumbis como diz o nome são mortos vivos que caminham entre nós (na terra), então eles ainda estão mortos, e isso que dizer q eles ainda se decompõem como qualquer cadáver normal, nesse gibi isso realmente acontece. Aqui os zumbis não são rápidos, super fortes ou inteligentes em momento algum da trama, eles simplesmente desejam comer. Como falamos de uma HQ que pode se desdobrar em varias edições e não obrigatoriamente precisam contar tudo que precisam em cronometrados 120 minutos como no cinema, a intenção aqui não é infectar as pessoas (da HQ, friso) o mais rápido possível e nem se preocupar em mostrar muitos zumbis no determinado momento para economizar em outros por problemas de produção. Claro que serão encontrados os mais variados clichês do cinema, mas venhamos e convenhamos que o bom dos zumbis diz respeito justamente a relembrar alguns clichês.

Mas desconsiderando o meio cinematográfico e nos concentrando na linguagem quadrinhística encontramos uma constante muito interessante: a fomra como os balões são utilizados por todo o gibi. Quando o balão tem suas extremidades juntas com as bordas do quadrinho, estas são automaticamente apagadas, pra visualizar melhor, o quadrinho deixa de ser um quadro (quadrado ou retângulo) perfeito pra terminar justamente no ponto de encontro onde ficaria a extremidade do balão, que por sua vez só terá os seus contornos definidos na parte de dentro do quadrinho, o que nos dá uma relação direta do balão com a sarjeta, a assim por dizer com a fluidez da leitura, tanto no que diz respeito a fluidez e continuidade do diálogo como do quadrinho em si (roteiro e diagramação).

Agora entrando nos méritos do arco que titula esse post, “A melhor defesa”. Não tenho resquícios de ter lido uma seqüência de revistas que me deixassem tão agoniado no ato da leitura. Lembro sim de entusiasmo, como em “Guerra Civil” na hora que o Capitão America pula do avião, ou de tristeza em “WE3”, ou até o furor metalingüístico no gibi “Abstraction” de Shintaro Kago, e olhe que esse até merece alguma agonia. Mas o arco “A melhor defesa” contem uma história muito bem construída e trabalhada como em todos os gibis da série, porem toda a situação que ali é explorada (e o como é) despertou em mim um asco pela história, uma repulsa, tanta que eu continuei lendo aquilo compulsivamente para poder acabar logo com aquilo e entra no próximo arco. Porem, não tomem esse sentimento como algo ruim. Nos serve de exemplo o filme “Irreversivel” de Gaspar Noé, que também me trouxe esse desconforto, mas a intenção do filme é essa, ele foi feito pra isso, aquela obra (assim como esse arco) não foram feitos para agradar, mas sim para gerar esse sentimento de desconforto perante a vida, perante uma situação que provavelmente não viveremos (e acredite, esse provavelmente não desconsidera a possibilidade de um mundo pós-apocalíptico cheio de zumbis), esse é mais um lado da arte, o lado do sentir, sem a lição moral ou algo do tipo. Dessa forma vivemos um pouco mais usufruindo de experiências expostas na arte seja ela qual for.

Para finalizar quero ressaltar os pontos em questão nesse post a fim de incentivar (quem sabe?) alguma discussão. Os clichês e as novidades existentes em “The walking dead”, a utilização dos balões nessa HQ e os significados desse uso e o tormento gerado pelo arco em questão. Boa Leitura.

por Ian Abé

Perdoem minha imbecilidade em não conseguir fazer posts com imagens. Eu tentei mas não consegui e não arrumei quem me ensinasse. Se aleguem puder me ajudar ótimo.
Se não rolar imagem tudo bem. Vou seguir o exemplo do cinema que já tem o trabalho da crítica bem estabelecido a um bom tempo e não precisam das seqüencias dos filmes reproduzidas em seus textos para serem compreendidos. Basta que seus leitores tenham visto os filmes. Então, espero o mesmo de quem se dê ao trabalho de ler este blog de crítica quadrinhística. Leiam os quadrinhos aqui destrinchados, de preferência antes para compreender, concordar ou discordar do que comentarmos. Se isso não ocorrer, espero pelo menos que os textos aqui expostos sirvam de estimulo para futura leitura das HQs.
Ian Abé

Na sarjeta. Fudido. Lascado. Chorando por algo ou alguém. Drogado. Embriagado. Na fossa. Na merda. Na sarjeta.

A sarjeta é o espaço entre dois quadros que permite ao leitor o papel de cúmplice da história e do autor. Espaço onde ele pode parar pela quantidade de tempo que lhe for interessante e submergir em todo pensamento cabível ou não dentro daquela HQ que ele tem em mãos. Espaço em que ele pode completar o movimento de uma ação, passar de um cômodo a outro, viajar entre dois planetas, lembrar de uma noite com sua namorada, de um filme que viu, de outro quadrinho que leu, se ligar que acabou de ler um quadro muito ruim ou se deparar com a beleza de uma nova utilização dos elementos da forma a qual ele dedica seus estudos. Pode ser o espaço que ele utiliza para anotar suas observações acerca daquela obra ou um espaço que o inspire a fazer outra história em quadrinho.

O pensar pode ser atrelado ao ato de criticar. Ato que normalmente não é muito bem recebido pelos autores, mestres ou estrelas das artes. O crítico junto ao consumidor e ao realizador formam uma tríplice força importante para o crescimento qualitativo de qualquer arte. Porem no universo quadrinhístico brasileiro o coeficiente de crítica aos meus olhos não chega a 10%, tendo em vista que eu não conheço ninguém que realmente faça esse papel. Pode ser estupidez afirmar algo assim, mas os únicos espaços existentes que comentam (não pensam ou criticam) quadrinhos são destinados a noticias e spoilers. Isso não é criticar. Não é pensar a forma. Não contribui para o desenvolvimento das historias em quadrinhos no Brasil. Serve basicamente para um mercado de bancas e colecionadores que não agüentam esperar pela próxima saga. Não que eu não faça isso, mas não deve se limitar somente ao ato de decorar toda a vida impressa de Wolwerine e anteceder o que virá e sim pensar em como estão fazendo ele ou como poderiam fazer. Não é fácil assumir o papel da crítica. Assim como o autor, o crítico expõe suas idéias, se posiciona e espera por concordâncias e discordâncias. O crítico pode ser visto como um agente incentivador do pensar. O cara que coloca fogo em discussões. Mas normalmente é visto como pedante idiota mal amado.

Começar a refletir porque nos quadrinhos o ato de pensar recebe um nome tão pejorativo pode começar a desenhar um panorama da situação. Se criticar é pensar, e pensar é estar na sarjeta então poeticamente já começamos bem. Mas e os quadrinhos?

Na Sarjeta é um espaço desenvolvido para os mal amados do mundo dos quadrinhos. Espaço virtual destinado a se pensar enquanto muitos só desejam sentir ou colecionar. Seja bem vindo ao Na Sarjeta somente para ler, se quiser para escrever, mas principalmente para pensar.

Ian Abé

A idéia desse espaço é o de pensar Historias em Quadrinhos enquanto arte desfrutando do máximo de consciência possível. É por causa dessa desejada consciência que houve tanta demora para se postar neste blog qualquer texto decente ou não. Uma visita a este blog hoje, e a seguinte mensagem estava apresentada:

“Não encontrado

Oh, não! Você está procurando algo que simplesmente não está aqui! Pelo menos temo que não esteja, mas erros acontecem, e com sorte haverá ferramentas na barra lateral para você usar na busca pelo que você precisa.”

Engraçado, foi preciso um servidor de internet para gerar vergonha nas intenções desse blog.

O primeiro texto desse blog ia ser sobre o seu nome e seus significados e a a inteção desse site. Só que ele não esta pronto ainda, mas a questão sobre a qual o texto vai tratar está.

Este blog serve para pensar quadrinho e é o que vai ser feito, por isso a questão. Segundo Scott McCloud o espaço entre cada quadro se chama sarjeta, porem sarjeta no mundo real é um espaço fisico nas laterais das ruas destinado a escoar  a água da chuva para os boeiros. Com a água toda sujeira das ruas vai junto, e isso tras um sentido decadente a esse substantivo. A pergunta: será que o termo sarjeta é interessante para o papel que ele desempenha no mundo dos quadrinhos?